Cachaça do Barão

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Cachaça do Barão:

marca renasce com grandes planos

O novo homem de frente da Cachaça do Barão tem sido chamado por aí de “genro do Zurita”. Não tem muito jeito, quando se é casado com uma filha de Ivan Zurita, um dos mais conhecidos executivos do país e protagonista de um rumoroso processo de recuperação judicial, o da AgroZ.

Certamente Leonardo Queiroz, o marido de Daniela, pode ser apresentado de outra forma: um experiente executivo com formação em Economia e estudos na Harvard Business School, que ocupou cargos de diretoria em empresas como Americel, GVT, TIM e Apple, com larga experiência, sobretudo, em varejo.

No ano passado, ele trocou a empresa mais valiosa do mundo (aquela criada por Steve Jobs, Steve Wozniak e Ronald Wayne) pelo desafio de reativar a Cachaça do Barão, a marca de cachaça do sogro, que estava em banho maria desde 2012. “Achei que era uma tarefa legal”, como resultado, explica: “Estou 100% do meu tempo focado nisso”.

Algumas publicações de Economia afirmaram que a reativação da Cachaça do Barão era “o primeiro passo para a reconstrução da AgroZ”, cujas dívidas são estimadas em torno de R$ 250 milhões. Longe disso. Leo tem os pés no chão. “Quando o Ivan propôs, a gente conversou. Não é um negócio para ficar milionário. Até ali, era só um hobby. Mas fui estudar o mercado”.

 

 

A Cachaça do Barão

Era uma diversão para Ivan Zurita, que entre 2001 e 2012 comandou a Nestlé brasileira, fazendo com que a subsidiária da gigante suíça multiplicasse por quatro seu faturamento.

No entanto, a saída de Zurita da Nestlé, foi polêmica e teria sido apressada pela exposição pública do executivo, conhecido pelos negócios agropecuários – em especial os faustosos leilões de gado suprepremiado –, que não paravam de crescer, e pelos amigos famosos, como Hebe Camargo e Roberto Carlos.

A Cachaça do Barão nasceu na Fazenda Santa Cruz, em Araras (SP) e o nome da moça homenageia o Barão de Arary, antigo proprietário das terras onde hoje se espalham bois e canaviais dos Zurita.

No portfólio, há cachaças envelhecidas em jequitibá rosa e em amendoim por 3 anos e em carvalho europeu, por 3 e por 5 anos.

A marca era tocada por uma sobrinha do empresário, que deixou o país em 2012. Agora, Leo conta para o Devotos da Cachaça como está sendo o processo de reativação.

Você tem um plano de negócios para a Cachaça do Barão, ou vai continuar sendo uma diversão familiar?
Ivan Zurita com Daniela e Leo Queiroz (Aexandre Battibugli/Veja SP)
Ivan Zurita com Daniela e Leo Queiroz (Aexandre Battibugli/Veja SP)

Tenho um plano de dez anos. Comecei em janeiro, depois de um estudo de mercado bem cuidadoso. Não dá para falar ainda, mas estão previstas, ao longo do tempo, novas marcas, novos produtos… E esperamos em um ano começar a recuperar o investimento feito agora. A marca ainda está muito presente na cabeça das pessoas. Fiz um evento onde havia 150 CEOs e 30% deles se lembravam da Cachaça do Barão.

Nesse estudo prévio, o que você descobriu?

Vi que a cachaça sofre muito preconceito. Mas também que o mercado está consumindo muito destilado premium. A cachaça, enquanto categoria, não está evoluindo nos últimos anos. Mas todo o segmento de destilados premium, aí incluída a cachaça premium, cresce em bom ritmo.

Mesmo nos anos de recessão, isso aconteceu. Os destilados premium estão vendendo mais, seja vodca, gim, cachaça… É esse o espaço que tem para ser trabalhado pela Cachaça do Barão.

Com alguma estratégia mais específica?

Tem o segmento da coquetelaria. A gente tem trazido, por exemplo, mulheres para a fazenda, para uma experiência com coquetelaria. A resposta é muito boa. Como resultado vamos até formar uma confraria feminina.

As marcas costumam trabalhar muito a venda por dose. Não é nosso maior foco. Queremos mostrar que a cachaça não é mais aquela bebida com retrogosto ruim, uma fama que ficou por conta de bares que preparam caipirinhas com produtos mais baratos…

A cachaça tem grande potencial na coquetelaria e queremos muito explorar isso… do mesmo modo que as mulheres, por exemplo, não precisam tomar coquetéis tão doces…

É mostrar que a boa bebida traz felicidade para as pessoas.

Com a cachaça, aí tem o sentimento de brasilidade completando a experiência. Os eventos na fazenda, que é centenária e foi reformada, com chefs renomados e coquetéis com cachaça, têm mostrado o potencial dessa proposta.

E os amigos famosos do Ivan?

Logo teremos os ‘Embaixadores da Cachaça do Barão’. Você vai ver nas redes sociais.

Quais canais e mercados vocês estão buscando?

Acima de tudo em termos regionais, focamos no Estado de São Paulo. Para fora, só a partir do ano que vem. E vamos dar início à exportação por França e Estados Unidos, assim que a documentação estiver pronta, o que deve ser em breve. Agora, o canal é bares, restaurantes, hotéis… Não vai ser em qualquer lugar que se poderá encontrar a Cachaça do Barão. Em São Paulo, há endereços como o Varanda e a Rodeio. Nós trabalhamos direto com esses pontos para ativar as vendas e também nossa loja online: www.lojacachacadobarao.com.br

Você saiu de um setor como o de Comunicações, em outro estágio no Brasil. Como está sendo a chegada à Cachaça?
Cachaça do Barão
Cachaça do Barão

Acho que a gente precisa ver a Cachaça como um negócio, não só como uma paixão. E acho que a chave é encontrar as melhores maneiras de mostrar o que, de fato, é a Cachaça. A gente não exibe as variedades; as pessoas não sabem que uma cachaça não é igual a outra. Eu não me conformo de ver o pessoal chegar ao bar, recusar cachaça e pedir uma tequila Jose Cuervo, como se aquele produto que a gente sabe que não é isso tudo pudesse se comparar a uma cachaça premium. Precisamos fazer mais eventos, mais degustações, exibir e falar sobre a cachaça, cada produtor e as entidades, para ampliar o mercado e ganhar espaço frente aos outros destilados. É por aí.

Veja também: Há vagas na Confraria da Cachaça do Barão, de Ivan Zurita

 

Por Dirley Fernandes

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